Cangaceiros invadem sertão de Pernambuco durante festas juninas

28 junho 2015


Se fosse no século passado, uma invasão de cangaceiros botaria todo mundo pra correr. Mas nesta época do ano, Serra Talhada, no sertão de Pernambuco, se transforma na capital do xaxado. São Lampiões e Marias bonitas de todas as idades, e as batalhas prometem esquentar.
Todos entram em cena para vencer. O colorido das roupas e as coreografias podem variar, mas ninguém perde o ritmo, marcado pelo barulho das sandálias batendo no asfalto. E pensar que os moradores mais antigos não gostavam nem de ouvir falar que eram da mesma terra de Lampião. O rei do cangaço, que metia medo, hoje é famoso por atrair muita gente que vem festejar os santos juninos como os cangaceiros mais gostavam: dançando xaxado. 
Nos desfiles nas principais ruas da cidade, nos palcos e nas escolas, um encontro com todos os sotaques. 
E todos os brasileiros entram na mesma cadência: orgulho do passado. E vontade de aprender. Kennedy, de 12 anos, segue os passos dos mais velhos. Ele se apaixonou pela dança. “A pessoa só tem prazer de dançar o xaxado, que é uma cultura muito nobre, aqui em Serra Talhada, muito boa. Quem provar, vai gostar”, garante Kennedy.
Lá, todos garantem: o xaxado rejuvenesce. Dona Elza, 84 anos, taí pra ninguém duvidar: “Eu fico jovem. Mais do que minha filha e minhas netas. Se eu ficar em casa eu fico doente”, diz a aposentada.
O xaxado espanta as doenças e faz bem para a alma desde o tempo do cangaço. A coreografia que se vê no asfalto começou na terra seca, com o som das sandálias arrastando no chão. Um sapateado onde os pés parecem deslizar.
Foi num cenário como este, em plena caatinga, que os cangaceiros criaram o xaxado. O ritmo acelerado era acompanhado por uma dança nova, vibrante, uma combinação perfeita para enfrentar a monotonia das longas jornadas pelo sertão e festejar os resultados das batalhas. E um detalhe: os cangaceiros estavam sempre de prontidão: eles dançavam armados.

“Os cangaceiros faziam da arma, a dama. Até porque na época em que surgiu o xaxado, ainda não havia mulheres no cangaço. Daí, pra não serem pegos desprevenidos caso a volante aparecesse, caso chegasse algum inimigo, eles dançavam fazendo da arma a dama, ela era a companheira inseparável dos cangaceiros” conta Karl Marx, ator e dançarino.

Além das armas, os cangaceiros vestiam roupas muito enfeitadas e cheias de utensílios. O figurino podia pesar mais de vinte quilos e tanto peso assim não era só vaidade não.

“Como eles eram sobretudo nômades, tudo o que eles precisavam, eles carregavam no corpo: as cabaças que eles usavam pra armazenar farinha, água e também cachaça, nos bornais onde eles guardavam queijo, rapadura e também carne seca", explica Karl Marx.

Até os anéis, quem diria, tinham mais de uma utilidade.

“Os anéis que eles usavam pra ostentar o poder, a demonstração de riqueza, também serviam na hora de dançar o xaxado, pra marcar o ritmo da dança”, conta Karl Marx.

Trajetória de Lampião e seu bando virou acervo de museu

O xaxado levanta a poeira e ajuda a manter viva parte da história do cangaço. A trajetória de Lampião e seu bando virou acervo de museu - são fotos, documentos e armas. Mas o pesquisador Anildomá de Souza não tem dúvidas: “O xaxado é a herança mais bonita que os cangaceiros nos deixaram”, diz Anildomá de Souza.

A única filha de Lampião e Maria Bonita, Dona Expedita, de 82 anos, foi criada por pais adotivos. Ela guarda na memória os poucos encontros que teve com o pai famoso.

“Eu tinha medo até de olhar pra ele, com aquelas armas e com aquele negócio todo”, conta a aposentada Expedita Ferreira Nunes.

Hoje, Dona Expedita não esconde o orgulho de ser filha do criador do xaxado.

“Tanta coisa que ele tinha pra pensar e ainda inventou uma dança, e essa dança ficou na cabeça de todo mundo...é, pena que eu não sei”, lamenta Dona Expedita.

O bisneto de Zabelê, um dos cangaceiros de lampião, Luis Carlos, trabalha como metalúrgico, mas é na arte dos antepassados que ele encontra alegria de viver.

Luiz Carlos de Araújo Alves, metalúrgico: Chega a dar arrepios. Tá no sangue, tá na raça. O xaxado, herança do cangaço caiu no gosto do povo e virou um patrimônio de todos que amam a festa de São João. Um encontro como esse só poderia acontecer na capital do xaxado. E a dança, que era de guerra, hoje serve para reverenciar os santos juninos.
via,.juniorcampos
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